Clube Dores

Repórter Dorense por um dia

Publicada em 07 de abril de 2016.

Tudo começou com um texto para a seção de viagens, despretensiosamente enviado para o e-mail da Dorense em Revista. Como foi enviado próximo ao fechamento da edição, no dia 17 de fevereiro, ficou um pouco de lado, até que o material para março começasse a ser organizado. Quando o texto recebeu mais atenção, a equipe da revista teve uma surpresa, a autora era uma menina de nove anos.

No texto “Aventuras no Paraná”, a associada Ana Clara Guerra Silveira contou sobre uma viagem feita com sua família, nas cidades de Medianeira e Foz do Iguaçu. O desavisado certamente não perceberá a idade da autora, por um misto de uso impecável de ortografia e tempos verbais. A própria escolha de palavras mostra um apuro de vocabulário sem deixar a leveza característica de um bate-papo de lado.

Para um jornalista, é impossível deixar de perceber as pistas no texto de Ana Clara, de que ela possui o material bruto sobre o qual a profissão é lapidada. Na metade da manhã de 24 de fevereiro, minutos depois de respondermos o e-mail mandado por ela, coincidentemente, sua mãe, Daniela Petri Guerra, visitou a redação da Dorense em Revista. Até então a mãe achava que a qualidade vista no texto de Ana Clara era “corujice” de sua parte. “Quando ela me mostrou o texto, perguntei ‘Tua avó te ajudou?’ e ela respondeu ‘Não. Escrevi sozinha!’”, orgulha-se Daniela.
Com este talento em potencial, tivemos a seguinte ideia “Por que tu não traz a Ana Clara para ser ‘repórter por um dia’? Ela traz as fotos e a gente monta a matéria dela juntos”. A ideia foi acolhida alegremente por Daniela – “Vou falar para ela. Ela vai adorar”. Assim, na manhã do dia 8 de março, Ana Clara veio ao Clube ter seu dia de jornalista.

Foca!¹
A manhã de foca de Ana Clara Silveira teve dois momentos principais. Inicialmente, algumas pequenas correções de estilo foram feitas em seu relato de viagem – pois o textos jornalísticos possuem algumas características particulares, visando a objetividade – tudo devidamente explicado para a pequena, ávida por aprender.
Na sequência das correções, a dorense aprendeu como montar sua matéria em uma página da revista. Em questão de minutos, Ana Clara entendeu aspectos como o equilíbrio na distribuição de imagens e textos – “Olha só, tu vai encaixando as coisas na página de um jeito que não fique pesado para quem vai ler. É que nem montar Lego” – além de inúmeros atalhos dos programas de edição de texto e de diagramação.

Com a página pronta e impressa em mãos, a alegria de Ana Clara era inconfundível. Finalizada a etapa de redação (no sentido de espaço, onde os jornalistas trabalham), foi o momento da repórter por um dia encarar o trabalho de rua.

Gastando sola de sapato
Na segunda metade da manhã, Ana Clara encarou um pouco do ofício de repórter, em contato direto com as pessoas. Como um dos primeiros trabalhos de um novato em redações é o de fazer enquetes, a pequena foi incumbida das seções “Eu, dorense” e “Colaborador dorense”.

Antes de descer do prédio do administrativo para a Sede Central em si, Ana Clara recebeu os melhores amigos de qualquer jornalista que se preze, um bloquinho e uma caneta (sim, por aqui somos antigos). Na preparação, a repórter mirim aprendeu como usar uma câmera semi-profissional, que, mesmo no automático, inspira diversos cuidados na hora do uso (para não falar em quanto o equipamento é pesado, especialmente quando se tem 9 anos).
Enquanto descíamos para procurar associados e colaboradores, repassamos o protocolo – “Tu faz assim: pede licença, te apresenta, diz o que tu está fazendo e pergunta se a pessoa quer participar. Aí, ela vai travar dois segundos, pensando em como te dizer que não. Aí, tu diz ‘É rapidinho’ e dá um sorriso”. Assustadoramente, no primeiro entrevistado, Ana Clara fez e-x-a-t-a-m-e-n-t-e o que foi dito. A deixa de dois segundos, inclusive, foi aproveitada com agilidade. Resultado: em pouco mais de meia hora, todos os seis colaboradores entrevistados e fotografados. Com os associados, a aprendiz de repórter excedeu a meta e conversou com um dorense a mais do que o necessário.

Deadline²
Infelizmente, tivemos que nos despedir de Ana Clara ao fim da manhã (que, por sinal, passou muito rápido), pois a pequena estuda à tarde. Ainda assim, ficamos com muitas boas lembranças de nossa repórter mirim.
Não há pagamento melhor do que ver surgir o brilho no olho de quem descobre um mundo novo. Em nosso caso, vimos surgir a centelha do amor por conhecer e informar, pois, como menestreis, os comunicadores veem aqui e contam acolá (mas sem a música).

Bateu a curiosidade? Então, confira a matéria da nossa pequena repórter – texto, diagramação e fotos, acessando na versão online da Dorense em Revista (clique aqui), nas páginas 12 e 13.

Foca¹: Fala-se do foca no sentido afetivo, do aprendiz de repórter. Jogado na arena dos leões – as redações, com colegas vividos e conhecedores dos assuntos –, pressionado pelo tempo e pelas responsabilidades, ele se sente, por vezes, afundar nas incertezas e indecisões do dia-a-dia. Afinal, não é desejável que ele fique perdido na costa ártica, nas lonjuras do hemisfério austral – como seus homônimos, as focas –, isolado, sem respostas.

Deadline²: por herança da escola norte-americana de jornalismo, chama-se de deadline o encerramento da edição diária dos jornais. Extrapolando um pouco, pode-se considerar deadline o final do período de trabalho do jornalista. Literalmente, a palavra significa “linha da morte” (jornalistas costumam ser dramáticos).

Autor:   Guilherme Benaduce

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