Clube Dores

Trinta e sete anos de Clube Dores

Publicada em 01 de julho de 2016.

"Se eu falar um minuto para cada ano que fiquei no Clube, são 37 minutos", brincou o engenheiro Mariano, ao chegar na sala do setor de comunicação do Dores, no dia em que marcamos uma entrevista. Mostrando organização até em seu humor, Mariano contou que até mesmo cancelou a academia, para dar um "lastro" de tempo e conversar com calma, uma vez que a história seria longa.

A trajetória de Mariano Ravanello remete à reoganização do Clube, no final da década de 1970. Quando surgiu a notícia de que o Dores seria reativado e que os primeiros cem títulos remidos seriam vendidos, o engenheiro foi um dos compradores. Apesar da celeridade em colaborar com a iniciativa, Ravanello residia na cidade de Frederico Westphalen, no extremo norte gaúcho, e não tinha intenções de retornar para Santa Maria.

Foi o engenheiro Adi João Forgiarini o responsável pela volta de Mariano. O antigo vice-presidente de Esporte era proprietário de um escritório em frente ao Clube, no qual Mariano havia estagiado ao longo de toda a faculdade. Com a proposta de trabalho e os pedidos da família, ele mudou de ideia e retornou à sua cidade natal em 1979. Como Adi era o responsável pelas primeiras obras do Clube e estava com pouco pessoal, Mariano foi chamado para ajudar.


"Ele desempenhou o papel [de engenheiro] de maneira satisfatória e permaneceu até pouco tempo atrás. O primeiro casamento dentro do Clube novo foi do Mariano Ravanello. Inclusive, na noite do casamento, no salão térreo, ele estava casando e me ajudando a vender títulos. Então, ao longo das décadas, além do trabalho profícuo dele, ele sempre mostrou aquele amor, que sempre teve pelo Clube Dores."

Celestino Da Cás
Patrono do Clube Dores


Do casamento à vice-presidência
O casamento de Mariano Ravanello com sua esposa, Arthenisa, estava marcado para o dia 26 de dezembro de 1981. Tudo fora marcado com antecedência, em um salão do clube mais tradicional da época, mas o então presidente dorense intercedeu alguns meses antes. Entretanto, as obras do Dores estavam pouco adiantadas – o salão térreo ainda possuía apenas as fundações. Por isso, quando Celestino Da Cás disse "Teu casamento tem que ser aqui", a resposta de Mariano Ravanello foi um sincero "Mas de que jeito?".

Ao longo dos meses seguintes, as obras foram aceleradas.


"O Mariano foi um dos melhores engenheiros que eu já conheci. Pela qualidade, pela competência, pela dedicação, né? Nestes 21 anos, praticamente, que nós trabalhamos juntos, eu aprendi muito com ele. Aprendemos um com o outro. Foi muito interessante. É um cara exigente, uma cara amigo. Só tenho elogios por esses 21 anos que trabalhamos juntos. Claro que tivemos algumas divergências profissionais, mas com o intuito de que o trabalho fosse cada vez melhor. Nós discutíamos até chegar no que era melhor para a obra e ele era muito aberto a isso."
Querivelto Reis
Mestre de obras do Clube Dores


Com o início da temporada de verão, já com a piscina principal pronta, o número de associados aumentou. Vendo que o Clube realmente teria condições de completar o salão, Ravanello aceitou a proposta do presidente e mudou o local de seu casamento.

No dia do seu casamento, mal havia espaço para todos os convidados. Além de toda a diretoria do Dores, Mariano Ravanello contou com diversos novos colegas de trabalho (havia começado na Prefeitura Municipal de Santa Maria) entre os convidados.

Resultado: ao longo da festa, ele e Celestino venderam, no mínimo, trinta títulos. Um pouco pelo empenho em favor do Clube, outro por ser presença constante nas reuniões, por seu trabalho como engenheiro, Ravanello foi convidado para ocupar o cargo de vice-presidente do Clube.


"O Mariano foi um dos pioneiros do nosso Clube. Ele inicou suas atividades aqui no Clube quando este prédio da Sede Central estava em andamento e, daí para frente, ele não parou mais. Ele participou de todas as obras construídas no Dores, na Sede Campestre e no Dores Praia Park, principalmente. Eu acho que foi um trabalho magnífico, porque, se o Mariano não estivesse aqui junto, nós teríamos que correr muito. Iríamos sentir muita falta de uma pessoa do padrão dele, que foi muito atensioso, muito gentil... Acho que foi ótimo o trabalho dele, do início ao fim".

Olavo Antoniazzi
Vice-presidente de Patrimônio e Construção


Cada vez mais dedicação
Na época em que Ademir Pozzobon assumiu a presidência, Mariano Ravanello auxiliava o Clube apenas quando era necessária uma supervisão mais ativa. Entretanto, em 1989, com a compra dos terrenos do Ginásio Poliesportivo e da Sede Campestre, o engenheiro já não tinha como prestar ajuda ao Dores e manter as atividades de seu escritório. Reconhecendo a importância se seus serviços, o Clube o contratou em tempo integral (posteriormente, com a mudança no Código Civil, que impede a remuneração de dirigentes, Mariano manteve apenas as funções de engenheiro e conselheiro).

Diversas empreitadas importantes foram comandadas por Ravanello, desde sua efetivação no Dores. Apesar disso, ele não considera que nada tenha sido encarado como um desafio em particular. "É que nem as gurias [Mariane e Marília, suas filhas] e a mulher [Arthenisa] dizem que o Clube é o meu segundo filho. E é como filho, tu cria desde pequeno e não se preocupa muito com o desafio, mas vai construindo, vai fazendo, construindo, fazendo.Mas vendo, tudo foi um desafio a seu tempo", conta.

Como insistimos no assunto, Mariano Ravanello chegou à conclusão de que a obra mais desafiadora foi a Sede Campestre do Clube. Entre adquiri-la, pagá-la e construí-la, ela demandou esforços e muita inventividade, por parte do engenheiro e dos dirigentes da época. Além da quantia enorme de trabalho exigida pelas construções simultâneas da Sede Campestre e do Ginásio Poliesportivo, a questão financeira esbarrou no confisco das poupanças, promovido pelo presidente Fernando Collor.


"O Mariano, desde o começo do Clube, indiscutivelmente, na parte de obras, na parte de Engenharia, ele foi o braço direito do Clube. Se deus quiser, ele vai continuar com nós por muitos e muitos anos. E não é porque ele deixa de ser funcionário que ele vai deixar de trabalhar pelo bem do Clube."
Valnei Vieira
Presidente do Conselho Deliberativo


O "desafio" dos dez anos em dois
A situação financeira do brasileiro médio, no início dos anos 90, era crítica. Entretanto, a confiança do santa-mariense no Clube Recreativo Dores foi tal que três mil títulos chegaram a ser vendidos em apenas em março de 1990 (o mesmo mês do confisco da poupança). Nesse momento, o Clube dobrou o número de associados e a diretoria percebeu que poderia custear não apenas a construção da Sede Campestre e do Ginásio Poliesportivo como de projetos previstos para os anos seguintes.

Havia, na época, um plano do que o Dores realizaria em dez anos. "As condições estavam tão, mas tão favoráveis, que todas as obras que nós tínhamos para fazer de 90 ao ano 2000, nós inauguramos todas em 15 de novembro de 1991. Em 18 meses, nós fizemos a obra de dez anos", recorda. Durante esse período, o Dores virou um verdadeiro canteiro de obras – construção do lago, encanamentos, ruas sendo abertas, outras sendo calçadas, prédios e quadras, tudo ao mesmo tempo.


"O Ravanello é uma pessoa extremamente capaz e, com relação ao trabalho dele no Clube, foi de uma importância vital. [...] Eu diria que ele foi e continua sendo um apaixonado pelo Clube a ponto de esquecer um pouco suas outras atividades, para se dedicar de corpo e alma para os assuntos do Clube. [...] É uma pessoa muito capaz, muito dedicada, que vai deixar muita saudade e deixou um legado profundo. Todas as obras, desde a mais simples, até a mais complicada, teve a partipação direta dele. Não só na parte de construção, como nas decisões, ele esteve sempre presente."
Guido Zanatta
Vice-presidente de Meio Ambiente


Na inauguração da Sede Campestre, o lago foi um pequeno drama. Era necessário tempo seco para não atrasar nenhuma obra, mas sem a chuva o lago não encheria. "Quando a chuva vinha, era gozado que o (seu) Ademir [Pozzobon, presidente do Clube] olhava para o céu, benzia o céu e o céu se abria. Chovia em tudo e não chovia na Sede", diverte-se.
As sete horas da noite do dia 15 de novembro, tudo ficou pronto para a abertura do Clube, no dia seguinte. A inauguração seria naquela noite, num palco dentro do lago, com uma Orquestra Sinfônica de Santa Maria. Entretanto, assim que as obras terminaram, começou a garoar e a apresentação foi levada para dentro o salão do restaurante. "Aí eu saí no meio da festa e fui pra dentro do lago, que não tinha água, era só aquela laje. Fui lá no fundo e olhei para cima... Aí, sim. Naquela noite eu me emocionei. Aquela foi bacana mesmo", recorda.

Hora de curtir
A construção do Dores Praia Park, para Mariano Ravanello, foi simples, do ponto de vista da Engenharia, uma vez que o projeto não foi seu. Entretanto, sendo responsável por sua construção, o trabalho "braçal" do engenheiro dorense foi longo e exaustivo (conversamos com Ravanello na Dorense em Revista nº 115, especial de lançamento do Praia Park). Com a conclusão do parque temático, o engenheiro quer curtir um descanso e aproveitar o Clube com sua família.

Na homenagem recebida por Mariano, durante o jantar de posse da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal, o engenheiro expressou sua gratidão pela chance de integrar o Dores. "Eu queria agradecer a essa diretoria, que permitiu que eu projetasse praticamente todo o Clube [...] Não tô me gavando, tô só contando (risos), porque não tinha o que falar, então a gente fala da experiência da gente [...] Então, eu queria agradecer à diretoria que permitiu que eu construísse o maior clube de lazer do Brasil. Hoje, o nosso clube, em lazer, não perde para nenhum no país. Obrigado", finalizou.
Conforme o próprio Mariano Ravanello adiantou, mesmo aposentado de suas atividades oficiais no Clube, ele não se fará ausente. Além de integrar o Conselho Deliberativo, Ravanello frequenta diariamente a academia da Sede Central. Além disso, jogos de tênis e churrascos na Sede Campestre fazem parte de sua rotina desde a construção da mesma. Não seria justo agora, com mais tempo livre, que ele iria parar.

Em nome de toda a comunidade do Dores, a Dorense em Revista lhe agradece por tudo, Mariano. Bom descanso e nos vemos pelo Clube!

Autor:   Guilherme Benaduce

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