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Gisele: uma guerreira Dorense

Publicada em 04 de outubro de 2016.

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Escrevo este artigo para a Gisele, diagnosticada com câncer de mama em 21 de junho deste ano. Gisele tem 32 anos, tem três filhos. Gisele está bem! “Muito bem”, como ela confirma com um grande sorriso que encoraja a todos a sua volta.

Gisele descobriu a doença de uma maneira inusitada. Não desconfiava, não sentia nada, tão pouco percebeu o nódulo. Um dia, ao se disponibilizar para um teste na clínica de imagem onde trabalha, teve a desconfiança que logo foi seguida pela certeza, confirmada por outros exames. Assim, descobriu a tempo de correr para o tratamento. E como ela corre!

Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2016 o Rio Grande do Sul teria 5.210 diagnósticos de câncer de mama, 810 casos de confirmação da doença no colo do útero, 460 no ovário, além de outros órgãos afetados pela doença que mais assusta no mundo. Embora os números sejam tão assustadores, assim como Gisele, muitas mulheres enxugam as lágrimas, engolem um pouco do choro e seguem a vida. Afinal, passado o susto, é vida que segue. E esta vida precisa de mais atenção. De mais dedicação. De mais tempo. De mais ócio. De mais riso.


Ninguém pode dizer que é fácil receber um diagnóstico de câncer. Diante do resultado positivo, todo mundo quer saber: Por quê? Por que comigo? De onde vem esta doença? Foi o sol? A exposição à radiação do celular? Algo que eu comi? Vou morrer? Existe tratamento? Como vou contar para a família? Para de trabalhar? Cancelo a academia? Conto pra quem? Será que tenho mesmo isso? Não aceito. Tá, aceito. Vou me entregar. Não, não, não. Vou lutar. Vou vencer! E assim, mesmo diante do câncer, a vida segue. Vida que grita por atenção. Por mais amigos. Por mais tempo de pernas esticadas. Por mais tempo escolhendo a cor do esmalte. Por menos culpa. Por mais brigadeiro na TPM. Por mais paciência de ir ao médico e esperar, esperar, esperar. Afinal, a vida segue!

Gisele é superocupada. Trabalha, estuda, dá atenção em casa. Vai para o clube nas horas vagas. Gosta da piscina, mas prefere o mate com os amigos à sombra. Não sei como ela consegue, mas sempre encontra tempo pra tudo. Já começou as primeiras quimioterapias, já usa lenço para disfarçar a falta do cabelo, já chorou de dor, já riu da situação. Já teve medo. Muuuuito medo! Mas, não deixa de fazer planos. Ela entende que a vida é preciosa e que muitas pessoas torcem por ela. Assim, segue em frente, mesmo sabendo que tem uma caminhada longa pela frente até chegar à cura completa.

Assim, aprendo com Gisele. Eu, que sempre fugia dos médicos e achava que fazer de conta que as coisas tristes não existem era mais fácil. Eu, que pensava que encontrar tempo para os exames preventivos era algo para segundo plano, quando “desse”.

Quem sabe o seu relógio, como o meu, pareça estar com defeito. Faltam números nos ponteiros para conciliar tantas atividades. E, mesmo que a sua agenda esteja apertadíssima, afirmo que não somos as únicas. Repare a sua volta, levante os olhos e veja que, enquanto lê este artigo, há alguém com pressa. Com certeza, todos com compromissos importantes, inadiáveis e pra ontem.

Mas, os dados mencionados acima insistem em nos lembrar de que antes de corrermos para cumprir compromissos, “os quais certamente não vão mudar o mundo hoje, aqui e agora”, devemos estabelecer prioridades. Prioridade é a vida! Diante de tantos recursos e informações, não existem mais desculpas para a negligência com a saúde. Sempre há uma saída para quem quer se cuidar.

Mulheres são capazes de realizar quatro, cinco, seis tarefas ao mesmo tempo? Isso enquanto planeja mais dez. A gente adora quando falam isso de nós. Sentimos que somos poderosas, não é mesmo? Já que é assim, é possível dar uma pausa na agenda e procurar o número do consultório do ginecologista para marcar uma consulta e averiguar se estamos aptas para executar os mil planos que temos. Ter planos é ótimo, já para executá-los é necessário, no mínimo, estar vivo. Assim, aproveite o Outubro Rosa para ligar para marcar uma consulta, fazer todos os exames possíveis e incentivar outras mulheres a se cuidarem, afinal, quem procura saúde encontra vida. Aproveite o mês de conscientização e invista em tempo de qualidade – o tempo com você.

Este artigo é para Gisele que tem contagiado a todos com a sua fé, disposição e esperança. Para Gisele que ainda vai aproveitar muito a temporada de verão no Dores. Para Gisele que faz mousse de maracujá pra mim. Gisele está bem!

Autor:   Luisa Neves, acadêmica de Jornalismo / Unifra

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