Clube Dores

Para sempre majestade

Publicada em 31 de outubro de 2016.

O currículo de Fabiana Maycá de Souza no tradicionalismo é extenso. Mas não é para menos, pois a dedicação da associada ao Querência das Dores é intensa e iniciou 25 anos atrás. Filha do atual casal patrão, Zeno e Anaides de Souza, Fabiana foi uma das grandes responsáveis pela aproximação da família do Departamento Tradicionalista do Clube.

Fabiana teve seu primeiro contato com o Querência das Dores por ocasião do concurso de prendas de 1991. “Na época, eu não podia participar porque eu não tinha idade. Mas a minha prima mais velha [Ana Lucia Flores, que morava com a família de Fabiana], que tinha a idade, quis fazer parte”, recorda. Ana Lucia acabou ficando com a faixa de prenda simpatia e, junto às primeira e segunda prendas, criou o grupo de danças adulto.

Encantada com a possibilidade, Fabiana foi uma das primeiras integrantes da invernada, mesmo não tendo idade, uma vez que o grupo ainda era pequeno. Nesta época, embalados por seu entusiasmo, seus pais ingressaram na patronagem, então comandada pelo patrão Valnei Vieira [atual presidente do Conselho Deliberativo]. Com a criação das invernadas juvenil e mirim, seus irmãos, Daniela e Gustavo, passaram a integrar o Querência das Dores.

Quando entrou na invernada adulta, Fabiana não possuía qualquer conhecimento sobre tradicionalismo. Segundo a prenda, ela era daquelas pessoas que não dança nem em bailes, porque não sabia o que fazer. “Eu não tinha noção do que era uma sapatilha de prenda, uma saia de ensaio. Era tudo novo para mim”, ressalta. Entretanto, Fabiana explica que, como o grupo era majoritariamente iniciante e os instrutores eram bastante experientes, foi um processo de aprendizado muito agradável e gratificante.

Entre as lembranças mais queridas de Fabiana está a época em que ela e os irmãos dançaram juntos na invernada adulta. Apesar de ter sido por pouco tempo, pois logo a dorense migrou para a recém-criada invernada veterana, o período foi um dos mais marcantes da história da família Maycá de Souza no Departamento Tradicionalista Querência das Dores.

De dançarina a prenda
Um ano depois de se juntar ao grupo de danças do Querência das Dores, Fabiana Maycá de Souza deu um passo a mais, que solidificou a importância do tradicionalismo em sua vida. Com muita preparação e estudo, munida de “uma coragem que nem sabia que tinha”, a associada entrou de cabeça erguida no concurso de prendas da entidade. Com uma larga vantagem na pontuação, Fabiana foi a primeira dorense a vestir a faixa de primeira prenda juvenil da história do DT.

Mesmo tendo vencido o concurso com vantagem, Fabiana garante que sua preparação foi árdua. “O grupo de dança, sendo uma primeira apresentação, estão todos os teus colegas fazendo a mesma coisa. No concurso de prendas, é tu e tu mesma. Tu vai para o meio do salão, vai cantar, vai declamar e na dança é tu, o peão e deu”, resume. No ano de 1994, Fabiana entregou a faixa de primeira prenda juvenil, mas voltaria a representar a entidade como primeira prenda adulta. Na categoria adulta, chegou ao posto de primeira prenda da 13ª Região Tradicionalista, na gestão 1995/1996.

Além dos concursos internos e da 13ª RT, Fabiana recorda que, até alguns anos atrás, havia muitos concursos de prendas de rodeios. “Faziam um rodeio no Sentinela da Querência, tinha a prenda do rodeio, tinha a prenda da Reculuta [Reculuta Farroupilha, rodeio artístico de Passo Fundo], tinha prenda de um rodeio do CPF Piá do Sul, do Tiarayú [CTG Tiarayú, de Porto Alegre]”, enumera. A prenda explica que aquelas datas já eram esperadas e que a preparação era quase permanente. Como resultado, Fabiana foi primeira prenda de praticamente todos os rodeios do circuito.

Depois de completar 18 anos, Fabiana deixou de lado as disputas de faixas e partiu para outras empreitadas. Para completar sua trajetória, voltou a usar uma faixa pelo Querência das Dores 20 anos depois, como primeira prenda veterana. “É um orgulho ostentar uma faixa de prenda veterana, porque a gente não tem que ter vergonha da idade. Tem que ter orgulho de todo o conhecimento que a gente já adquiriu”, enfatiza.

De prenda a treinadora
Fabiana acredita que a vida tem etapas e, findo seu momento de prenda, começou o processo de passar sua experiência adiante. Além de ensaiar a invernada mirim – que lhe ensinou muito sobre paciência, ela destaca – ela passou a trabalhar no departamento artístico do Querência das Dores.

Na parte cultural, Fabiana ajudava a “administrar” a vida das prendas, acompanhando o calendário de eventos, os certificados e preparações. Em decorrência desse trabalho, ela começou a fazer o treinamento artístico de prendas, propriamente dito. Em seu currículo, inclusive, constam duas primeiras prendas adultas do Rio Grande do Sul, a mais importante faixa a ser conquistada.

Para a Fabiana treinadora, a alegria em ver suas pupilas vencendo é tão grande quanto a Fabiana prenda sentia ao receber as faixas. “É felicidade da mesma forma. Eu me enxergo nelas, ali, no momento que eu sei o que é passar por ali, pra chegar naquela conquista. [...] Tu sabe que não é fácil chegar ali e tu sabe que tu fez parte para ela chegar ali. [...] É tão prazeroso quanto”, orgulha-se.

Aquerenciada no dores
Um dos motivos de maior abandono das atividades tradicionalistas, Fabiana aponta, é a chegada das obrigações da vida adulta. “No ano de 2008, conheci, num evento tradicionalista aqui de Santa Maria, meu esposo [Marcio Antonio da Silveira], que dançava no Tiarayú, de Porto Alegre. [...] Isso foi um grande quesito para eu não me afastar, depois de casar e ter meu filho”, conta. Desde a união, Fabiana e o marido dançam pelo DT e mesmo o filho de seis anos, Samuel, que ainda não despertou interesse pelo tradicionalismo, tem no Querência das Dores muitos de seus amiguinhos. “Meu filho gosta muito da música, inclusive faz aula de bateria. [...] Mas anda junto com a gente, pilchadinho e tudo”, conta com tranquilidade.

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