Clube Dores

Dorenses nas telonas

Publicada em 03 de novembro de 2016.

Quem nunca terminou de olhar um filme e pensou: "eu, com certeza, faria um filme melhor por isso, isso e isso"? Alguns anos, apesar das boas ideias surgirem para todas as pessoas, poucas possuíam os meios para botá-las em prática. Hoje, com a facilidade em comprar câmeras, celulares, que já filmam em full HD, e com programas de edição, que funcionam em praticamente qualquer computador, o que seria apenas uma bravata pode chegar ao status de realidade. Entretanto, ao colocar as mãos na massa, surge uma série de novas questões. Para saber um pouco mais sobre a produção independente de audiovisuais, conversamos com Mário Finard, da Pastel Store, diretor do longa metragem "S.A.D.", no qual duas dorenses atuam e uma colabora como roteirista.

Segundo Finard, "S.A.D". surgiu devido ao alinhamento de uma série de fatores. Apesar do foco na produção publicitária, ele sustenta que a paixão nos move a fazer o que gostamos, em seu caso, a ficção. Além disso, há algum tempo, Finard tinha uma ideia de escrever sobre solidão, sobre perda e, em seu trabalho com a publicidade, encontrou a atriz perfeita para interpretar sua história. "Eu sempre gostei de falar sobre o tema solidão. Sobre qual é a sensação de uma pessoa que, em determinado momento da sua vida (Finard estala os dedos) não tem mais nada... a não ser ela. E eu criei o roteiro imaginando a Gabriele Schillo como atriz principal", explica.

Pensando nas situações mais solitárias nas quais um ser humano pode se submeter, Mário Finard chegou a duas imagens: um astronauta e um mergulhador no fundo do mar. Dessa forma, o diretor chegou à base de "S.A.D.". "A ideia é: depois de dez anos no espaço, ela voltou para a terra e Santa Maria é uma Santa Maria pós-apocalipse.

Os prédios estão destruídos, as ruas estão vazias. Não existe nada, nem ninguém. E os flashbacks dela contam essa vida que ela tem de casada, que ela teve filha, a infância dela e aí se desenrola toda a história até o porquê de acontecer aquilo ali", sintetiza.

Em produção desde 2014, a equipe do longa metragem já sofreu diversas alterações, pois alguns dos participantes foram embora da cidade ou se envolveram em outros projetos. Por ser gravado conforme a disponibilidade da produtora, dos atores e, principalmente financeira, "S.A.D." avança sem pressa. Entretanto, Finard estima que as gravações encerrem até dezembro. No primeiro semestre de 2017, o diretor pretende fazer um pré-lançamento na cidade. Para isso, busca parceiros para algo como uma exibição na praça Saldanha Marinho. Posteriormente, a ideia é levar aos cinemas da região e, depois, o céu – ou o espaço, no caso – é o limite.

Estrelas dorenses
Segundo Mário Finard, o trabalho com as atrizes dorense foi muito mais fácil do que se espera, ao trabalhar com crianças. "O perfil das duas meninas é muito parecido. Elas são muito inteligentes [...] Eu brinco assim "tá, vocês são anãs", interpretam, se relacionam e falam dos personagens delas com muito interesse e com muito entendimento. [...] Elas duas têm isso, a facilidade. Eu precisei ensaiar com elas apenas algumas coisas muito pontuais", elogia o diretor.
"S.A.D." conta a história da astronauta Laura Komarov ao chegar em uma Santa Maria pós-apocaliptica e flashbacks de seu passado. Logo, ambas as atrizes dorenses entraram na linha do passado da personagem.

Para a dorense Ana Clara Guerra Silveira¹, de dez anos, poder iniciar a carreira de atriz é a realização de seu maior sonho. Ana Clara interpreta a filha da protagonista e conta que se identificou muito com a personagem. "Ela é muito meiga, muito carinhosa. Ela ama muito a mãe dela e é um amor muito forte. E, no fim, ela acaba sofrendo com a viagem da mãe dela. [...] Isso acaba fazendo dela uma personagem um pouco triste", descreve.
Sofia Biacchi Emanuelli Hardt, de oito anos, tem experiência como modelo, mas "S.A.D." foi sua primeira oportunidade de atuar em filmes. Residente em Brasília, no Distrito Federal, a pequena enfrentou o frio do inverno santa-mariense para gravar. Sofia gravou sete cenas e não pestanejou em escolher uma preferida e dizer o motivo: "A do gira-gira, porque foi muito legal". Casualmente, a cena escolhida, uma das mais emblemáticas no enredo do longa, foi escrita pela mãe da atriz, Gisela Biacchi Emanuelli.

Com a escolha de Sofia para o elenco do filme, Mário Finard fez um pedido a Gisela, sua amiga de longa data: "Olha, eu sei que tu escreve muito bem. Então pega essas cenas aqui [as de Sofia] e revisa". O resultado foi tão bom, que o diretor pediu para Gisela escrever algumas cenas novas para o roteiro, inclusive a do gira-gira. "Eu não poderia perder essa oportunidade rara que o diretor me deu. Confiar o trabalho dele à minha pena é uma honraria", agradece Gisela. Para a corroteirista, todos vão amar o resultado desse esforço. "O filme está ficando bárbaro e me orgulho em dizer que é uma produção santa-mariense!", sentencia.

Ana Clara¹: em abril, na edição 118, a associada foi a repórter por um dia da Dorense em Revista.

Clube Dores
© 2014 CLUBE DORES   |   Todos os direitos reservados
Site produzido pela Netface